Ano I - Nº6 | Outubro de 2010

Resultado do 1º Prêmio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Americana

Em 16/10/2009 às 12:40:12

Após seis meses de existência, a Oca das Letras está encerrando suas atividades. Durante esse tempo, buscamos apoio em várias esferas do poder público, incessantemente, sem obter resultado algum. Do mesmo modo, não conseguimos nenhum mísero patrocinador no setor privado. É com muita tristeza que anunciamos o encerramento das nossas atividades, devido à total falta de apoio. Sequer para o Prêmio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Americana, conseguimos auxílio: a edição dos livros será custeada com recursos próprios. Não há espaço, nesse mundo mercantilista, para romantismos bobos, por mais necessários e sinceros que possam ser. “Enquanto houver burguesia, não vai haver poesia”, cantarolou Cazuza.

 

Nestes seis meses de existência, a Oca das Letras procurou exaltar a poética ameríndia, divulgando-a e lutando por ideais orgânicos da nossa terra, por justiça sócio-cultural. Agradecemos aos nossos queridos colunistas, pelos belos textos proporcionados. Agradecemos a todos que contribuíram com artigos, com poesias, contos, crônicas, fotografias... Agradecemos às palavras de incentivo, aos leitores eventuais e aos 1700 assinantes cadastrados na Oca das Letras. Agradecemos imensamente à Infoway, empresa que desenvolveu e manteve em funcionamento o nosso sítio eletrônico.

 

Parabenizamos a todos os poetas que participaram do 1º Prêmio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Americana: a qualidade poética superou nossas expectativas. Ao total, houveram 3027 obras inscritas (provenientes de 26 países), dentre as quais foram selecionados os seguintes vencedores:

 

1º colocado: Nicolas Diaz Badilla            - Chile

2º colocado: Luís de Aguiar                    - Portugal

3º colocado: Alberto Pereira                   - Portugal

 

4º ao 20º colocados (em ordem alfabética):

Alfredo Maria Villegas Oromí                  - Uruguay

Gilson José Fagundes Júnior                  - Brasil

Isalino Nguimba da Cruz Augusto           - Angola

João Mello Bourrou                                - Brasil

Johnny Romero                                     - Brasil

Lucas Serra                                           - Argentina

Luis Amaury Rodríguez Ramírez              - Cuba

Maria Cristina Ribeiro da Silva                 - Brasil

Néstor Quadri                                        - Argentina

Paula Rubano Pompeo                           - Brasil

Philippe Wollney                                    - Brasil

Rocio Soria                                            - Ecuador

Samuel Aroche                                       - México

Sergio Marelli                                        - Argentina

Silvia Susana Marijuan                           - Argentina

Thiago Mattos de Oliveira                       - Brasil

Yasmin Gonzalez Leon                           - Cuba

 

 


 

1º colocado: Nicolas Diaz Badilla - Chile

 

JEVY
UNA VEZ MÁS

Tatá poí
Fuego fino

cuñatai y jyacuá
señorita agua perfumada

pa sapipí jamgué say ñaré
todo parpadea rápido lágrima brava

saingo saingo
columpiar, hamacar

ybegüiy arandú
el sabio liviano

oyujú cuarajyipitepe
hallar el mediodía

oyujú coembotá
hallar la aurora

oyujú saye verá
hallar el brillo de la tarde

jevy já jevy
de nuevo y de nuevo

oyujú tapé
hallar el camino

po cuá yvaté arapy gua teté
de las manos en la cintura del alto espacio del cuerpo

py cuá yvaté ara yma gua teté
de los pies en la cintura del alto espacio del cuerpo


 


PIMBOI
DESPELLEJAR

Pe la karahu gua la py’amongeta ñeimo’ä
En la médula de la meditación

rei jokoha gua ita vera
sin causa obstáculo de cristal

vava la tatarendy ángapyhypegua
oscila la llama proveniente de la satisfacción lírica

jasyrata ñasaindy kuarahy isoindy
luz de estrellas luz de luna luz de sol luciérnaga

apytu’ü pytu ä vy’araity
de la mente espíritu alma paraíso

puru’ä apyra’ÿ mboyguy sapy’a
ombligo infinito hundido en el instante del agua

tugua’ÿ tehove la puka pu mbyja rehegua pe la juru-kuá
insondable es la risa sonido sideral en la boca cueva

gua la mburuvicha guasu rajy va ñopë temimo’ä
de la princesa que entreteje los pensamientos

ha moha’anga la mboi mbyja ati
y dibuja la serpiente constelación

la kuarahy kañy gua la joja
el eclipse de la simetría

moimemba tesay
totalizar las lágrimas

pimboi añetegua kuarahy’ä.
despellejar la verdadera sombra.

 


JAKARÉ ITAROVY
JACARÉ ESMERALDA

Iguy pe la ypa
Sumergido en la laguna

vevúi vevúi vevúi pórä pórä mopirïha
sutil leve ligero vision hermosa espeluznante

kuarahy mimbi japo la py’a tyai
el resplandor del sol plasma la conciencia turbia

ape jepyvu yjere pyte la akä kangakue
aqui remolino de agua chupa la calavera

amo yvytu jepyvu peju tyakuävu va mbojopara lo oñembyasýva
allá remolino de viento sopla perfume que entrevera los sentidos

pe lo tesa sapymi tesaü sakandu tesatï jesapymi
con los ojos cerrados negros saltones transparentes
entornados

nte lo piraï va monge poguy pe iñ täi mbore
solo las pirañas que hipnotizan con sus dentelladas

reko jekuaa chejehegui ñandechejehegui
tienen conocimiento de mi mismo y de nosotros mismos

pypuku jehegui ndehegui ndejehegui.
profundo de si mismo, de ti y de ti mismo.

Jakare paha yma
Ültimo yacare de antes

ygapóra gua mbyja aty va ñe pyhy ñemihapegua joguaha
navegante de las contelaciones que se contraen
confidenciales semejantes

ne ndive che tekove va che tekove.
contigo soy lo que soy.


 

2º colocado: Luís de Aguiar                        - Portugal

 

O LIMITE DO MUNDO


Ter o limite do mundo
no risco maduro da mão
um golpe profundo
rasga a bolsa das águas
e liberta o feto
com nervos fibras e sangue
e ossos transparentes
O músculo do feto
encharca o interior da mãe
e suas válvulas
átomos de luz
O suor de Deus no líquido
amniótico.

 

 

 

PEDRA ANGULAR


Eis a pedra angular
a tornar-se redonda antónimo
de velocíssima espuma
Imagina a tua alma
uma sede amarela
viva seda prurido vermelho
criado
sem pálpebras ou outros lençóis
O ressurgir do assassínio
dos buracos na mente
onde nasceu a argila
e o homem multiplicou-se
na viva ferocidade
do âmago do grão sémen de sol

 

 

 

CLARIDADE OU SÍMBOLO


Escoa-se a casa
rama de cobre
caule atado ateado
fruta enlaçada
no anzol astrológico
Na minha visão nudez
algum transe
claridade ou símbolo
uma insónia
a pernoitar no crânio
enquanto o bebé explode da mãe
e a mãe avé maria
do chão ao céu
E sufocam as jóias
o mármore destapado bordado
por unhas grandiosas
A casa
rama de cobre
ânus semeado
violado espelho de luz

 

 

3º colocado: Alberto Pereira                                           - Portugal

AFINADOR DE NUVENS


Passo as horas a afinar nuvens,
a ouvir-te trovejar nas veias.
Desde que me embargaste o corpo
com a tempestade,
nunca mais me aproximei de mim.
O céu ficou senil,
gesticula apenas uma miserável nódoa de paraíso
onde componho sinfonias com veneno.

A cabeça estremece,
tenho a memória raptada por sonetos indígenas.
Esfuziante o teu rosto desarruma o ódio.
Atravesso a pólvora, estrangulo o nevoeiro.
Na leveza do silêncio a garganta dorme.

A peregrinação de cactos
nunca impediu nada.
E ali estás tu,
o catálogo de precipícios
que não esqueço.

O coração é um relâmpago
a legendar cicatrizes.

 

CREPÚSCULO NÚ

Nasci louco, fui perdendo o corpo no manejo dos anos.
A terra não vigiava os passos,
falavam desse mar invertido calafetado sobre as cabeças.
Depois encostaram adultos aos brinquedos
e estes ficaram amargos.
Mataram-me as lendas nos olhos
quando os dias degolaram a inocência.
Apenas conhecia a mitologia de quatro paredes.
Cá fora os homens reivindicando o inferno,
sujos, cambaleantes, pulverizando nódoas.
As mulheres varrendo desejos,
organizando o idioma decimal da solidão.
Encostadas às esquinas, as crianças vazias
a ensinar a corrupção à memória.
Falavam das namoradas que nunca conheceram,
amavam-nas loucamente nas revistas que não sabiam decifrar.
Tinham as imagens, o rumor pueril no adro do olhar.
Passeavam pelo magnetismo, convictos que no fundo do abismo
a transparência respiraria a sua voz.

Olham agora para trás,
espiam o sangue que coxeia no coração.
Escoa-se como um touro ferido tombado nos ventrículos.
Há já mais poeira do que cor, pergunta-se até,
para quê sangue se rezar nos pulmões não parou a névoa.

O futuro são cães a morder relâmpagos.

 

IMPOSSÍVEL


Chegar a ti, impossível.

As manhãs já não dizem tempo,
só o silêncio sabe o teu corpo inteiro.
Escorrego por cada palavra,
convenço a pele que não morreste.
Imagino-te ainda como se o sangue
pudesse adormecer.
Eu digo,
o sonho é ouro desavindo,
uma tocha louca no coração afogado.

As manhãs já não dizem tempo,
a mocidade das coisas
dança na peregrinação da distância.
Há beijos inebriados
que procuram a memória,
como se ontem não fosse noite.

Tenho os olhos rachados
pela obesidade das lágrimas,
são tantas as que despenteiam a ilusão.

Talvez nunca seja sempre,
por isso parto.

 

 

 

4º ao 20º colocados (em ordem alfabética):

 

Alfredo Maria Villegas Oromí                - Uruguay

POEMA DEL AMA GUASÚ

“Sólo en la lucha
se espera con esperanza”
Paulo Freire

I


DICE EL AVÁÑE’E: Yasý-retá es un puñal / Desangrando el agua grande
Y en su socavón hemos perdido todos.

Estruendos de pájaros en fuga / Desordenan el exilio de los montes.

Desesperados peces sin aliento buscan el origen río arriba
Rompiendo sus agallas en las piedras.
Cautivos entre redes de metal / Una y otra vez preguntan por Í-Yára.

Los blancos expulsaron los duendes de la selva.
Tupã los deja hacer / Y piensa / Si no es tiempo de soltar otro Diluvio.


DICE EL SUELO: Me hallará descubierto cuando venga.
Desnudo de broza / Malherido. / Ella asestará sus punzones
De mojaduras sin reparo / Entre tocones de una selva rota.

Las conjuras del agua prisionera / Auguran su revancha.


DICE LA SELVA: El aire aroma dolores de savia.
Bajan los golpes / Los ecos repetidos / Las orugas
Desarbolándome los brazos

Quieren cobrarse mi sangre primigenia
Alimentando una vegetación foránea.

Nadie puede ocupar mi corazón / Sin rendir cuentas.
Ellos no ven: / La muerte avanza con voces apagadas.


DICE EL YSYRÝ GUASÚ: Un rumor de pájaros ausentes
Enmudecen la noche sobre un lecho de barro.

La negrura oculta los vestigios del monte / Zaherido en las orillas
Por un pantanal sin alma.

Entre túmulos hediondos / Sólo las anguilas soportan la bajante.

Mientras tanto / Boqueo de impotencia río arriba.

 

DICE EL CIELO: La muerte acampa en el monte / Desmigajando los cedros.
Semillas trashumantes / Habitan los ojos de la noche.

Los hombres han quebrado las fronteras.
Como animales en destierro se amenazan / Mientras los arados
Martirizan el despojo / Con vertederas calzadas en el suelo.

La quemazón alcanza mis alturas / Con sus alas extendidas en la sangre.

No sólo soy testigo. / Mis voces ennegrecen su furia de tormentas.


DICE ABIA YALA: No amainaron su hambruna a pesar de los siglos.
Llegaron hasta mí / Mintiéndole a su Dios
Vinieron por el oro / Los cultivos. / Por la Piedra de Jade.

Me arrancaron promesas nunca escritas
Junto al agua incontrolable de mis cuencas. / Los fósiles,
El humus / Las maderas. / Reliquias extirpadas de mi vientre.

Me ordenaron no ignorar su prepotencia. / Así les entregué
La inundación / Los vientos. / Los temblores.

Desollaré su piel hasta el descarne / Como hicieron con los hijos de Tupã.


DICE YVYTU RUSÚ: Arasý descansa sobre el agua / Sus olores de madre
Pariendo nubarrones vitelinos. / La humedad alimenta
Una selva perseguida / Que apenas se acomoda entre las cuencas.

Amaga remansos a la orilla / Guareciéndose en un quiebre de maderas
Y pájaros deshechos / Entre guijarros que amparan los rumores del río.

Ciertas penas se ocultan en su vientre: Quieren extirparle los ovarios,
Envenenar las napas / Acaparar el envión de sus torrentes.

Py’ aropu hiere el aire de la noche.

Por las dudas / Sin demoras afilo mis machetes.

 

 

DICEN LOS DUENDES: Somos Custodios del monte
Y nos fueron diezmando con su ciencia / Con sus crímenes
Contra los Aváñe’e: la inquisición y la mentira.

Somos los nombres invisibles del orgullo: El Pombero,
El Curupí, / Yací Yateré, la Póra y el I-Yára. / Somos los duendes.

Apenas cinco siglos les bastaron
Para desmembrar nuestro Tiempo de Leyendas.

Ahora tendremos que juntarnos / —El agua nos convoca—
En la Tierra Sin Mal de nuestros padres
Rediviva en la voz de los poetas.


DICE TUPÃ: Les di todos los dones de la vida: Sabiduría
Prudencia / Templanza / Y los dobles filos de la libertad.

Eligieron los errados caminos de la muerte / El egoísmo, la soberbia.
No tendría razón para ocuparme / Salvo evitarles el rumbo del suicidio.

Ellos son lo mismo que maltratan: / Sangre, humores y linfas;
Lágrimas y flujos vaginales. / Son leche materna,
Líquidos amnióticos y semen.

Beben de las fuentes que envenena su avaricia: El agua de los ríos,
Las cuencas subterráneas, / Los lagos y la lluvia.

Y no me corresponde detenerlos / A menos que uno / Sólo uno,
Sostenga su Fe en los Hombres de la Tierra.

A esos guerreros de esperanzas mínimas / No les voy a dejar abandonados.

A los otros les advierto:
Ya va siendo hora / De soltar otro Diluvio.

 

Gilson José Fagundes Júnior                  - Brasil

 

Ko va\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\'e yvy any ikovy

juruá kyra katu re yakã
abaré
ovaigua

tenonde re ijayvu va\\\'e
xe vai ka\\\'aguy

Juka ka\\\'aguy
Vende
Jogua pa

Ko va\\\'e yvy any ikovy

 

Prazer Inglês

Senhor ja barbado
fuma seu cachimbo
sua moradia
apenas madeira

madeira vermelha
ganhada do sangue

daqueles esquecidos
por muitos

Em sua volta
indios
cortando a madeira
nadando
sorrindo
chorando

todos vivem ali

pasmado
joga o cachimbo fora

lhe da alucinações

 

Amigos solos, felices

Trabaja, trabaja
Ahora duerme
Cae uno más

Nieguen liga
Trabaja, trabaja
Son tantos
Tanta sofrían

Una luz
Luz de la noche
Clarea todos
Dejan

Es nuestro
Trabajo
Trabajo

Nuestra patria
Nuestra tierra

 

 

 

Isalino Nguimba da Cruz Augusto         - Angola

Não posso Eva


O olhar da Eva é um rio transbordante
que carrega vida nas curvilíneas ruas
do seu desenho corporal

Não é normal que ela me demova
do meu estado estático e desinteressado
da poesia ética e estética do meu coração

Há no olhar da Eva uma mística
que me alcança e me enlaça
nas imagens do ecrán do meu ser
e me conduz no paraíso do fruto proibido

Passeio enfeitiçado na calçada dos seus lábios
esquecendo-me do ditado dos sábios

No entanto recobro a razão
e vejo o olhar desesperado do meu coração
que constata a moralidade
da armadura doirada dos meus dedos
oh não!
não posso Eva


 

O diálogo da ave


O diálogo chilreante da ave cantante
na cave da esperança
solta sonhos nos olhos da folha
e uma luz ofegante
desenha palavras floridas no jardim
da retórica sorridente

A ave solta a trave da cave com alegria
e propõe um sentir novo do amanhã
e na Fala
olhar a Afectividade nostálgica

O Entendimento do futuro será
um bálsamo transcendental no presente
significado da linguagem
para alegria da ave

 

Onde estás oh palavra
Te busco na lavra infinita da linguagem
Para pintar o quadro das ruas nevoentas
Do musseque que clama qualidade de vida

Onde estás oh palavra
Sem ti eu não escrevo poesia real
De amargura da dura vida nos becos de lata
Onde candengues desenham cenas de terror

Onde estás oh palavra
Tú és a minha arma de luta meu clamor de angústia
Quero te fazer arte nestes versos amargos
Como assim, não será ainda obra por espôr o terror
das ruas escuras do Kassequel onde a virgem
Viu a petála da sua rosa em bocados no chão violento?

Onde estás oh maldita bendita palavra
Se eu quero compor música barulhenta e cantar
Nos ouvidos dos Castelos para tão somente
Ser voz das árvores que mendigam pão e vida

Apareça oh palavra
E com toque mágico e transcendente no teu ser
Ainda faça o cérebro se alegrar mesmo no horror
Desta vida miserável
-----------------------------------------------------------------------------
Musseque – periferia, bairro de lata
Candengues – crianças
Kassequel – Bairro da cidade de Luanda - Angola

 

João Mello Bourrou                                 - Brasil

O EXTASE DO NADA
Chegou e viu uma folha em branco
Na sala de madeira
Bem embaixo do abajur que vagueia, vadia, clareia.

Enfileira os talheres,
Janta e celebra: soca o ar
Se contorce, se enerva:
Perde o ar

A folha agora paira sobre a estante
Reta e branca
Vazia e flagrante

É esse então,
O êxtase do não
Do ainda por vir
Da agúa rasgada
evaporando a fugir,

é tipo o Êxtase do Nada

É tipo frase improvável
Antes de cada
Mureta murada
Barriga barricada

É a folha branca aprendendo a flutuar por todos os cômodos da casa de madeira.

 

O TRADUTOR DE RIMAS

Vendo do fundo do rio, a superfície é assustadoramente cristalina, embora um pouco marrom e sempre fica tremendo.

Há um tradutor de rimas e um inventor de sotaques para cada poeta estrangeiro que chega aos corais. Os peixes ditos loucos adoravam a idéia. ‘isso só facilita as coisas’ dizia o mais apaixonado de todos.

Porém, abaixo dos corais coloridos, só tem a monotonia do lodo morno.
Aqui embaixo não se ouve nenhum som. Só os ruídos dos caramujos rastejando e o abrir farfalhante das ostras. Isso, sem contar o barulho misterioso que os peixes fazem para nadar, que só nós conhecemos.

 

O TRADUTOR DE RIMAS

Vendo do fundo do rio, a superfície é assustadoramente cristalina, embora um pouco marrom e sempre fica tremendo.

Há um tradutor de rimas e um inventor de sotaques para cada poeta estrangeiro que chega aos corais. Os peixes ditos loucos adoravam a idéia. ‘isso só facilita as coisas’ dizia o mais apaixonado de todos.

Porém, abaixo dos corais coloridos, só tem a monotonia do lodo morno.
Aqui embaixo não se ouve nenhum som. Só os ruídos dos caramujos rastejando e o abrir farfalhante das ostras. Isso, sem contar o barulho misterioso que os peixes fazem para nadar, que só nós conhecemos.

 

 

Johnny Romero                                        - Brasil

CASTRO ALVES

Insigne poeta sumido na inglória
versátil na pluma, na voz da razão
fostes,Castro Alves,um grande na historia
um líder nas letras,da noite um clarão!

No entanto, não foram com versos de amores
que a vossa grandeza ao mundo se impôs...
não foram as odes únicos fatores
que os louros da gloria trouxeram a vós!

Mas vossa imponência, poeta, vos digo
cresceu noutro aspecto de humano valor
haveis sido sempre o melhor amigo
que os negros tiveram nas horas de dor!

Abolicionista, dos mais extremosos
sonhavas num povo unido e feliz
quizestes que todos vivessem ditosos
desde o venturoso... ao mais infeliz!

Hoje vossa imagem inspira saudade
nos fala, em silencio, de paz, redenção
se tanto implorastes pela liberdade
tantos festejaram essa abolição!

Novas gerações contemplam agora
um porvir radioso, sem triste ilusão...
vemos realizado o sonho de outrora
vosso eterno sonho de manumissão!

LAURENCITA-PE GUÃRÃ

Co’êyú ne rovetãme arú ndeve seretana
harpa pu rory porãme mbaracá-pe ambojhovái
Laurencita Victorina ãichaité mante iporãta
nde resá che mbojhoryva marové nda iyoyajhái!

Jhî’ã veva ãgha cheve pochy’ÿre vy’á pape
repu’ã cu torypape ejhendú che purajhéi
Tupasÿ jha Ñandeyara oicuaáne añetejhápe
Ayusé-gui rojhechávo vy’á’ÿn-gui nda kevéi!

Yvyty ñemby canguyicha ne rendape aguãjhevo
maiteí romomorãvo rojhetü jha roañuá
jha tové nde yukyeté-gui pyjharé jha ára co’êvo
reicové ayá yvy ári jhetaité ta nde po’á!

Nderejhé che mandu’áva ne porã jha nde rory-gui
nde py’á marangatú-gui rojhacjhú romo ñe’ê
jha Tupã che rovasãro yepiguáicha yvaga-pygui
yvoty-pe amboyeguáne Laurencita nde rapé!

 

Aborígenes

El indio, el aborigen, el primitivo dueño
el verdadero dueño de toda la nación
no puede estar contento, no puede estar risueño
si es fin, objeto y causa, de vil expoliación!

Ah! Tiempo, de mis tiempos! Suspira el indio amigo
milenios y milenios, de paz, tranquilidad...
¿Será el progreso acaso un divinal castigo
irónico enemigo de la prosperidad?

Proteja al que proteja, el hombre lo avasalla
y explora, explota, exprime, expolia sin piedad
servil, fámulo, esclavo, el protegido calla
pues en la afrenta halla sustentabilidad!

El indio, el ultrajado, de una ejemplar cultura
precisa de justicia y no de conversión
eleva sus plegarias a la Infinita Altura
y encuentra solamente fatal desolación!

Merece el aborigen, respeto, amor, decencia
derecho en sus derechos, justicia universal
el vate, el dirigente y amantes de la ciencia
no pueden omitirse a un hecho tan real!

Las tribus son decenas, centenas y millares
o al menos ya lo han sido, un tiempo, alguna vez...
no sea que mañana tan sólo algunos pares
sin tierra y sin hogares... lamenten su endebléz!

 

 

Lucas Serra                                               - Argentina

 

Encontro cutâneo


Resina ao tato

extremidades arbóreas


mel dentro da cicatriz
de cinzas


(desesperação)

minha forma de apalpar

a

lua

num sexo
oco

 

 

Sertão


andadura feminina do membro

a pilosa cavidade que rasgo

(ausência)

tua

lagrimosa lapidação

dentro

de

um

mandacaru

 

 

Vento


amarre
a
menstruação


de

teus olhos

pendida

que
como
a
os
peixes


o
sudeste
arrasta

 

Luis Amaury Rodríguez Ramírez          - Cuba

Tras esa larga pared que nos divide sobre el delta,
no dura la primavera,
ninguna empaca, zimbo o addimú
que vaya a clarear estos caminos,
menos ahora porque la prisión y tu ausencia duelen juntos;
tengo palabras que jamás podré explicar
si un día tocaras a mi puerta.
Desde estos barrotes,
el panorama es una lengua,
una edificación engullendo fragmentada
la mitad del Caribe;
construimos este delta
con sangre-piel de real contrapunteo,
con azúcar más parda que el dulzor de los mulatos
con frescura más gris que sonrisa de negra a las orillas
y mezclado como todo
y parte también del tabaco a son de rumba generosa
a mansalva, fuego, paredón
y manos que rompieron amores olvidado
a tenor de lo dispuesto
mientras ayudamos para establecer una leyenda.
Las paredes siguen cayendo,
si hoy golpeas en mi pecho
solo encontrarás dolor nacional,
una tarde que añora en el trópico su invierno,
crónicas ofertando el mismo país bajo sus fauces;
si atardeciera y aún no te respondo,
desiste,
también al techo le faltaban los soportes.

 

Piedra sobre piedra
he andado
el rectangular formato de los bloques,
que hacen callosa, calladas, hieráticas
mis manos,
aquellas mismas que arrastraron
hasta mi espalda,
alimentos
surco
trastornada personalidad
edificando
minutos
que bien comenzaban a hacer la diferencia,
un vendaval azotaba mi marasmo,
la mise en scène
que debimos aplaudir a los actores,
no dejó lugar a otras dudas
que no fuesen la cuestionable existencia,
la ridícula escalada
atando nuestras bocas y brazos
para hacernos parecer
un cuadrante
del dado inicial,
patriótico,
llamándonos las arterias.
Nada pude decir,
nada puedo,
todo es pequeño y mezquino y ruinoso
a mis ojos,
a la tinta
con que destrozo un pedazo de país
de repente empequeñecido,
burlesco,
mientras sobre mí pesa el maderamen
de mi cuerpo y acaricio,
hasta con nostalgia a veces,
la bala destinada al enemigo,
pretendiendo un golpe antes de que todo caiga,
prevenidos de la vergonzoza surgilación
con que dejaremos pasar esa cubierta protectora.
Aquello nuestro,
va a quedarse como estatua,
cuando las arterias pavimentadas
se desangran
al mostrar
el rencoroso animal que soy,
calles y supiaderos,
soportales y edificios que hablan
y se dejan ahuecar
por la vil mordacidad de los paseantes,
porque también a mis ojos
hirió la voz
y a mis oídos
aquella pesarosa imagen de
cómo boga sobre mar
un adiós de rostros que olvidamos,
la melodiosa veracidad sexual de mis vecinos,
tan como amantes
tocándose así de leves,
para ser al fin, lo que se erige.

 

Réquiem por Virgilio Piñera
A los Piñera todos…

Afuera percuten los cueros,
las mulatas perdieron el hábito de amancebarse
porque están cigüere las briyumbas
y mientras te leo,
solo puedo decir que tengo miedo,
no soy capaz de esconder mi temor bajo la mesa,
porque al interior del monstruo que creiste,
permanece un círculo prohibido.
Afuera solo la rumba confirma
que en el corazón de la barriada
merma en su desazón el solitario,
como un animal vulgarmente común
en aras de extinguirse.
Mira, Virgilio,
duele ver la tranquilidad pasmosa,
como si todo fuera sedimento,
como si fuera el espíritu en la música
para que lo mundo se hunda en malafo y sunga,
cuando enterramos y desenterramos el esfuerzo de vivir
como un regalo sin importancia;
duele ver que solo importa
ser acolchados por el plumaje oscuro y sanguinolento
de los cuervos picoteando la llaga,
nuestras llagas,
mira a esos cuervos como descienden a por más
y nunca es suficiente;
y el batir de sus alas se confunde con la rumba
al centro del pecho de quien fui tan suyo y a la vez ajeno.
Pide por nosotros, Virgilio,
en tu espíritu están nuestras respuestas,
tengo miedo,
apenas distingo tu voz entre las letras,
ya la isla pesa demasiado,
mientras hay luz,
nos humillamos sembrando ese árbol,
subsistimos por una coincidencia que dejará de favorecernos.
Duele saber que la rumba ha callado,
que tras mi pared Janis Joplin agoniza,
que mi vecino se impide amanecer cada amanecer,
que tus palabras son un nuevo círculo por cuanto pesan
Mira, Virigilio,
este es el fin
y aún no dije todo.

Maria Cristina Ribeiro da Silva  - Brasil

FANTASIAS


Pensou que fossem asas desenhadas no adormecido crepúsculo,
Mas eram apenas os cegos passos de uma criança
Se aventurando, em surdina, pelas dobras do destino.
Pensou que fosse a revoada de cânticos perfumes,
Até que percebeu harpas tangidas pelos dedos esguios do vento
A esculpir o sorriso na face da esperança taciturna.
Pensou que fosse a sede dos rios derramada em seu leito,
Mas projetavam-se as linhas curvas da silhueta desnuda
Sobre as águas bailarinas de celestes sonhos tecidos.
Pensou que fosse a poeira da chuva no refúgio das estrelas,
Quando o hálito orvalhado de desejos em botão
Ajoelhou-se sobre folhas brancas e soletrou cores pasteis.
Pensou que fosse o suor de pérfidas apressadas primaveras,
E debruçou-se para colhê-las em cestas de manhãs famintas,
Mas o fogo derretido fez-se mudo entre rosas e violetas,
E nas hastes fantasias só colheu a seiva do nome: Margarida.

 

O CIÚME

Vertia o tempo inóspito dos ponteiros da espera
Sobre as ásperas arestas da incerteza,
E o vácuo das promessas que lhe fizera
Se agigantava informe na minha tristeza.
De pupila a pupila secava a lágrima derramada,
Enquanto se davam nós nas pontas do laço,
Porque o silêncio era o grito da alma calada
E o corpo inerte era o confesso cansaço.
O fio metálico das horas costurava o riso
À esperança incólume que se fez mortalha,
E num rastro suspiro do futuro impreciso,
Prostra-se o guerreiro diante da batalha,
Fazendo do minuto hostil o próprio leito
Do turvo sangrar que lhe agoniza a alma,
Porque o ciúme enfurece o trotar do peito,
E só o abraço da morte lhe devolve a calma.

 

O TREM


Úmido é o choro,
E pálido é o aceno
No pranto das mãos
Pelo veio febril
De funestas sinas.
Abrem-se os chãos,
E opaco é o anil
Das tardes meninas
Que o trem levou
No ranger do aço.
Estúpidos trilhos
Que o tempo talhou
Por entre o espaço
Do gesto tímido,
Num meio abraço,
Sem beijo úmido!

 

 

 

Néstor Quadri                                           - Argentina

TRAGEDIA DE AMOR INDIO
En la argentina San Juan,
el cerro Alcázar se asemeja a un castillo
y son blancos los pisos y blancas las paredes
en cada amanecer.
Allí vivía un cacique de Calingasta
con una hermosa doncella española,
que había abandonado a un capitán cruel.
Un atardecer, el hispano sediento de venganza,
fue con otros al cerro, galopando con Luzbel.
Cuando los amantes fueron rodeados,
se lanzaron desde lo alto
y todo se tiñó de rojo
con la sangre de ella y la de él.
Y desde entonces, en el castillo del Alcázar
son rojos los pisos y rojas las paredes
en cada anochecer.

 

EL SILENCIO DEL ANOCHECER
De los indios que poblaron Yauco,
Bagua era el último descendiente.
Vivía en ese monte que nacía en el río
y en el cielo, moría con la pendiente.
Un alegre cántico emitía en la aurora
y unos tristes gemidos al atardecer.
Un día, a la luz la rodearon penumbras
y sintió que se acercaba su fenecer.
Cuando en su cueva moría,
Yocahu…Yocahu… susurraba,
mientras que a su alma transparente,
una deidad taina se la llevaba.
Y ya no se oyó su cantar en la aurora,
ni sus gemidos, al perecer.
Y desde entonces, con un manto de silencio
el monte lo recuerda en cada anochecer.

 

NOSTALGIA CERRANA
En la mirada sin gestos de su cara bronceada
quiere esconder el colla su alma desolada.
La selva de cemento lo atrapó sin piedad
en esa inmensa e insensible ciudad.
Una ciudad boliviana de foránea riqueza
rodeada de discriminatoria pobreza.
En su casa de madera y chapa de hierro
siente la cruel nostalgia de su cerro.
De las piedras… de los cardos... de las cabras...
de los largos días... de las noches largas...
De aquel cerro solitario que se eleva al cielo
haciendo que el cielo se acerque al suelo.
De aquel cerro donde las nubes forman majadas,
que el viento las arrea, en caminos de quebradas.
¿ Fue el destino que del cerro lo alejó?
¿ Fue la vida que esa tristeza le asignó?
¡Quien no adivina en ese indio su alma desolada
en esa mirada sin gestos de su cara bronceada!

 

 

Paula Rubano Pompeo                            - Brasil

Adágio Guarani

Língua nheengatu
Toponímia definida
Destino d\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\'imorais olhares
Ao grande continente do sul

Mamópa reju?
Venho da mistura
Do híbrido acalanto
Ora denso e lascivo
Ora sutil e brando

O novo que adentra
Recebe as boas-vindas
Povo puro que profere
Nhandereko rami aiko

Mocidade da descoberta
Imaturidade clandestina
Emerge na pureza natural
Metamorfose yma guare

Guarde as mulheres
E em seus ventres ha\'e javive
Involuntária transformação
Da puerilidade inocente

A voz nativa, sua tradição preserva
Pevy\'a ke mboraei rupi
Ditosos os homens amparam
Aurora próxima anunciada

Miscigena a cultura
Territorial sulista
Da chamada América
Incinerada, Transformista.

 

Antologia profética

Cálidos mares, prásios profundos
Horizonte nascente, anunciante crepúsculo
Embalo salgado, atemporal
Atlântica jornada, hemisfério estrúgido

À ponta da bússola, indício sulista
Ambiciosa busca, aurífera, infecunda
Rebôo de terra, casta nativa
Pele rubra, vigorosa, contraposta
Com o nácar estrangeiro

Impudência nauta, foz maculada
Involuntários prosélitos, catequismo profano
Angúrio transformista, nações miscigena
Filhos híbridos, múltiplos ventres

Voz do âmago, solo molhado
Dissonantes vocábulos, dissolutos eméritos
Emenda almagamada
Identidade ofuscada.

 

Estrangeira aculturação

Ao prásio deserto, âmago silêncio
Nudez das partes alvas no lençol do entardecer
Amarilis púrpura, peca rubra, fúscia
Em cobalto estelar os olhos desmancham
no desvelo feminino, carmim em prata

Pele ansiâ, vinco sorriso
Honorífica presença de detalhes vivos
Erudição em vernáculo, excelência postura
Calado anseio em ocre ambição,
ornamentada no peito pueril

Amarelidez pálida, expressa em proferição dogmática
Olhos negros, vivos, puros, curiosamente atenciosos
Acolhem involuntariamente o fenômeno espúrio
Invasivo, lascivo

Sinais do tempo
Exibem o extrativismo nativo,
que a cada sonar do ponteiro dissolve
A pele, a crença, a língua
A vida.

 

Philippe Wollney                                      - Brasil

Colabar

Estamos todos projetando suicídio coletivo.
As nossas qualidades se tornaram desvario poético.
Na política do imóvel
E na educação do silêncio,
Cavamos nosso poço, abismo tecnocrata.
Não valemos nada (melhor assim),
Não iremos falir junto com a bolsa de New York.
No século do paradigma energético
Não sei se sobrará tempo
Para fecharmos os olhos ou amputarmos as mãos.
O OUTRO e não o EU.
Uma nova maneira de RAZÃO.
Propostas para não sermos arrastados
Quando os países de pouso alto
Colabarem.

 

Oferta recusável

Ofereceram-me tantos caminhos bons.
Apontaram com o dedo indicador bem rígido
A melhor porta a ser aberta.
Varreram os cacos de vidro do chão.
Tiraram a poeira dos livros antigos.
Tudo em nome do bem estar.
Sorriram pra mim com dentes bem brancos,
Faces bem jovens e roupas não usadas.
Encheram meu copo,
Acenderam o meu cigarro
E até me aplaudiram por palavras que não disse.
Propuseram-me sins e mais sins.
Em troca,
Deveria deixar de ser esse humano de merda,
Com as suas idéias de merda,
Com a sua biologia e filosofia de merda.
Para tornar-me...
O privilegiadíssimo homenzinho engravatado
Aspirante à funcionário público,
Cidadão bem resolvido.
A apoteose da normose.
E assim meu sexo só seria sexo.
Meus poemas apenas rimas.
E me tornaria um bosta com etiqueta de elite.

 

Armei-me com um poema e o engatilhei entre os dentes.
Puxei o gatilho e o estampido de meus versos
Fez sangrar os ouvidos dos que estavam na mira.

Poeme-se
A minha guerrilha é comigo mesmo.
Poeme-se
As armas de fogo não servem a nada.
Esqueça os tanques, mísseis, dinamites, granadas.
Não há o que encontrar com ogivas nucleares.
Poeme-se
A resistência será com versos insolentes.

 

 

Rocio Soria                                               - Ecuador

 

Finje un descuido para que la cuchilla siga hasta el final
-no es cualquier argucia esta-
Es el final y el inicio.

El gato duerme en el terco umbral de las estrellas
como una nueva fatalidad
o
como una providencia.

La alfombra está llena de agujas,
océano lejano de alegrías,
secuelas de una larga enfermedad mental,
convulsiones violentas en los brazos.

Finje un descuido para que la cuchilla siga hasta el final
-no es cualquier argucia esta-
Es el final y el inicio
hay una cierta costumbre en el fondo de todo esto
debe tratarse de lo irrevocable de los objetos muertos.

 

 

La cabeza del hombre amado
yace sobre el mueble,
dista mucho esta orgía
de las mierdas de los periódicos.

La mujer habla,
la cabeza aguarda silente,
pálida y a la espera,
a punto de escupirle sus serpientes
separada del resto goza de una irreverencia tan poco corriente,

los ojos de la cabeza miran hacia los altos fondos como en un templo,
¿buscará sus memorias y sus desamores en las arañas espectrifromes, reacomodará la suma de sus velos...?

Ella maldice,
solo humanamente el dolor es posible
y la muerte,

abraza a la cabeza,
baila con la cabeza,
desayuna con la cabeza,
muerde a la cabeza,

-ritual de alcoba-

Nunca un tesoro tan soberbio sobre su mesa.

 

 

 

 

Los lugares dentro de la cabeza del hombre siguen inminentes.
prontos a salir de golpe del surtidor
o a quedarse relegados en alguna interferencia
de su cerebro.

Nombra objetos desconocidos,
palabras inexistentes,
sitios que dejó como el recuento de una modorra.

La mujer, el cuartel, los murciélagos y
los fantasmas colgando del puente,
las ausencias,
el soliloquio extraño,
las muertes,
las voces en la punta de la lengua

… staccato y picado

Las orillas de sus recuerdos son de una escritura indefinida,

mira,

sujeta inmóvil,

-el vaso se le desliza de la mano como un recuerdo más-

intenta concentrarse
pero la pérdida de continuidad en los objetos,
hace que todo le sea desconocido,
talvez siempre le fue desconocido

falso, absurdo, aparente,

todo dentro de su caja tiene ese sonidillo de lo inaplazable…

El hombre amado
sigue acodado en el alfeizar de la ventana…
la espera,
su espera

es inaplazable.

 

 

Samuel Aroche                                         - México

Mirada incorpórea

He tocado el rostro del tiempo,
incomprensible.

Entre su piel se guarda la distancia de la eternidad.

Su sangre no deja color sobre mis manos,
igual al silencio que me habita desde que decidiste abandonar mi cuerpo para posarte en su mirada.

 

Contactos

En el blanco extravío de su luna piel,
aún todo cielo tiene un color,
las llagas no sangran…

Nocivo como quedar
ciego en el vientre, es separar
que te siento.

No desperdicio momentos imperfectos,
busco caricias entre la muerte
pero,
¿Qué es poseer un contacto virgen con la muerte?

 

La espera del remordimiento

Cabalgaban entre polvosas estrellas las palabras, a su par la facultad del pensamiento volcó su mirada al infinito oscuro del ser que no comprendía la irracionalidad de la libertad.

Asaltan contra el juicio de los justos,
derramado la sangre de ideas vírgenes de la voz que no callo hasta el amanecer…

 

 

Sergio Marelli                                           - Argentina

 

PALABRAS

En el íntimo respirar del silencio,
las encuentro,
olorosas a intemperie.
Me siguen como pinguinos
a un expedicionario,
algunas caminan sin rumbo
silabeando en voz baja
un cuchicheo de brujo,
otras abren las alas
y amansan el viento,
sacudiendo el lomo,
espolvoreando la tierra
con especias ardientes.

Son colores encerrados en el mineral del silencio,
raíces que saben lo que sabe la tierra,
semillas al viento
repartiendo una riqueza
de índole desconocida.

Hay que elegirlas con áspero cuidado,
besarles su hocico de perra sedienta,
dejarlas colgadas
de la rama más azul del alma,
caminando a ciegas, bajo la lluvia
iluminados por los relámpagos
de su misterio.

 

FELIZ

El día escribe
su escritura de clavos en la carne,
pero yo, prófugo,
estoy feliz y quisiera
sentar a la alegría
en su silla preferida
hasta que los oscuros perfumes de la noche
y la feroz medialengua de los brujos
acaricien la melena de fiebre
de la madrugada,
haciendo bailar la vida
sobre las brasas de la muerte.

Ser uno más entre los pájaros
inventando el lenguaje de los árboles,
liberar la miel encerrada en panales amargos,
concitar la fábula, la noche atrevida,
acariciarlo todo como si todo fuera
mariposa de seda dormida.


Vivir,
sencillamente vivir,
como si aún
no se hubiera inventado la muerte.

 

SE RAZONABLE, VUÉLVETE LOCO


Se razonable: vuélvete loco.
Ni arriba ni abajo, la vida
está a la altura de los ojos.
Escucha, dentro tuyo el latido
del que nace a la luz de los relámpagos
con la lucidez de incendiarlo todo
para que un niño
sea tu padre
y el sol
un animal puro que te lame
después de tanta oscuridad.
El abierto olor de los trigales
de la poesía,
de todos sea, pan
de la locura más alta,
luz que sangra
en la doliente perplejidad de la memoria,
dulce sal de una lágrima,
pájaro
que en el viento grita: soy el cielo,
y se queda a vivir
en los ojos
de quien vestido con la desnudez del alma
sigue los rastros incurables
de un sueño.

 

 

Silvia Susana Marijuan                               - Argentina

Mis suelas de barro bordean
el hilo agonizante de la selva paranaense

Cuarahí me acompaña en la pequeña aventura
con la vista baja y los labios repletos de silencio

Picos lejanos asoman en las crestas verdes
Ecos simios paralizan mis pies

El Tacuarembó (llora sus ancestros)

se desgaja entre yerba mate

y árboles extranjeros
(servirá de lomo a letras vagas)


Manos guaraníes entretejen canastillas
a turistas que exclaman "yes"

Como para el yaguareté que huye del asfalto

Las jaulas también pueden ser fotosintéticas
Río arriba
Sequía, sed, desesperanza
El Iguazú brilla como un plato de plata
Mi asta quiebra el azulejo de agua
Un camino se abre en la corriente

Cae la noche,
Las linternas apuntan a todo bulto que se mueve
Las cámaras tienen voluntad de admirar

Cuarahí vuelve su paso con los suyos
Mientras nosotros nos envolvemos
en sábanas de algodón egípcio

 

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